sábado, 23 de agosto de 2008

(rafa)

vose e 1 piadistë meninë réréré
tinpegay
-n

Postado por Hello Amico

Sonhos





[...]

E voei, voei. Eu e minha loucura e minha vontade de vomitar tanto até secar por dentro. Eu e o meu medo de me magoar de novo com todo mundo e precisar de novo odiar tanto e me proteger tanto que fico demasiadamente má e me sinto má e começo a fazer maldades comigo.
Eu prefiro esse peito todo errado do que outro peito. Eu gritava. Eu prefiro mil vezes me assumir do que assumir o mundo mil vezes errado. Eu gritei.
E então, tudo continuava ali, prestes a dar muito errado, a falir, a cair no chão e fazer meu próprio buraco. Tudo estava ali. Todo o meu potencial gigantesco pra fazer da minha vida um inferno imenso. E eu assumi meu peso, eu assumi meu medos, eu assumi toda a merda. E assim, voei ainda mais alto, como se flutuasse. Eu peguei pra mim tudo o que soltava por aí e, surpreendentemente, fiquei mais leve.
Se dava pra ir de pesadelo pra sonho deitada, imagina o que eu não poderia fazer da minha vida a hora que ficasse em pé.


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(tati b.)

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Última Carta

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Fulano,
A intenção era magoá-lo. E nem ousarei pedir desculpas porque, além de não querer, elas soariam ridículas e ainda mais ofensivas do que minhas ações supostamente infantis.

Você mereceu. Essa é a verdade. Existe um momento em que tudo de agradável que fizemos um ao outro desaparece, e em seu lugar surge um ressentimento aniquilador que traga o passado distante e só mantém vivas as cenas finais. Aquelas cenas finais.

Tudo já passou, é certo. Mas, assim como uma farta refeição mexicana, demorará pra ser digerido. Enquanto o processo se completa, sua imagem virá à minha mente como o gosto azedo de guacamole subindo pela garganta. Totalmente indigesto.

Escondi minha raiva pelas suas derrapadas, omissões antes eventuais e então perenes. Não disse o que me aborrecia com medo de desandar as coisas entre nós, sem notar que já não existia 'entre nós', só entre mim e alguém que se esqueceu de apagar a luz ao sair para deixar evidente o abandono do recinto.

Antes que me esqueça: a maior vitória disso tudo não foi triturá-lo. Foi descobrir que não me basta viver ao lado de alguém emocionalmente surdo e cego, nutrindo-me de expectativas malogradas. Como li em algum lugar: 'Eu não chorei por você. Chorei por uma idéia que fracassava. Por uma idéia que, num minuto, parecia ter futuro'.


Não importa se tenho razão ou se meus motivos são fortes o suficiente pra dizer o que digo. Aprendi algo importante desde que nos separamos: fome e dor não se medem - cada um tem o seu limite. Passei muito tempo com o meu à beira do insuportável (por burrice minha, óbvio).

Por que escrevi isso? Nâo sei, talvez isso conseguirá algo que eu já não conseguia e que me massacrava: surtir algum efeito em você.


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A. [modificado]

Quando o dique estoura

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Finais não precisam ser horríveis. É suficiente serem tristes.

Como termina um amor? Talvez não termine, somente mude para o terreno da amizade sem nos darmos conta. O carinho, o respeito, a vontade de dividir alegrias corriqueiras continuam a viver e nem sequer notamos que algo morreu. Não admitimos a possibilidade de o eterno não existir. Mas morreu algo quase imperceptível, que só notamos quando não está mais lá, entrelaçando as mãos.

Insultos e traições não são necessários para que o amor termine. Alguns, os mais rudes, clamam pela destruição total, precisam do insuportável para divisar aquilo que um dia foi claro e luminoso transformou-se num lodaçal onde ambos se afogam, puxados pelo peso do rancor, pela negativa em abandonar o navio, mesmo rodeados pelos destroços. Não é necessário exterminar tudo de belo para notar que as cores desbotaram e, apesar de ainda harmônicas, já não enchem os olhos de satisfação. A maior dor vem com a constatação de que só amor não basta - a tela que pintamos a quatro mãos pode continuar linda, mas foi, imperceptivelmente, sendo esvaziada de significados e se transformou em algo que observo, mas do qual, tristemente, não faço parte.

O espaço que o amor toma é muito grande; preenche tudo. No momento em que diminui (talvez não diminua, apenas sofra uma metamorfose: não acredito que o amor possa arrefecer, apenas se transforma em outra coisa, inominável) sentimos como se tivessem arrancado nosso fígado, nosso rim. Somos assolados pela convicção tão hesitante quanto lancinante de que não sobreviveremos à sensação de não termos mais porto, segurança, paz. A voz cálida ao telefone. Nos invade a certeza ainda mais cruel de que, depois dessa fissura, não poderemos levar isso adiante, não poderemos provocar mais dor nem infligi-la a nós mesmos. A certeza de que fomos lançados em alto-mar e já não nos cabe querer ou não - a realidade não precisa de nós.

Então vem o assombro, a sensação de trairmos o outro por já não conseguirmos ser parte de dois, pela estranha e urgente necessidade de sermos um, sozinhos, de nos vermos despejados da visão carinhosa e complacente. "Perdi algo que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se tivesse perdido um terceiro apoio que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Esse terceiro apoio eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Sei que só com duas pernas é que posso caminhar, mas a ausência do apoio me faz aflita e me assusta, era ele que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, sem querer precisar me procurar." (Clarice Lispector)

E será inútil esforçar-se para esquecer - tudo o que um dia se misturou carregará consigo partículas do outro. Talvez venha o arrependimento, o recomeço, as cores voltem a brilhar como antes - mas não se pode contar com isso. Não se pode contar com nada. O único caminho viável é viver e correr o sagrado risco do acaso. E substituir o destino pela probabilidade.

O único caminho é entregar-se à desorientação e ter fé, muita fé, de que ela nos leve a um lugar mais calmo, inabitado por nossa agonia e pelo medo de ficarmos sós.


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(ailin a.)

[?]

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Quantos sinais são necessários até compreendermos que já não nos importamos com alguém?

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quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Pé na bunda.

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"O melhor que você tem a fazer é me odiar." Foi isso que eu li. Foi isso que fiz, mesmo involuntariamente: eu sempre odeio quem me deixa, mesmo que ainda o ame. Ou nunca tenha amado.

Não há como ser morno no fim do que, um dia, chamamos de amor: mulheres soluçam publicamente, homens choramingam para os amigos depois do porre, mas todos sofrem. No meio da festa ou trancado no banheiro. Não importa: o negócio é que pé na bunda dói.

Depois de lermos ou ouvirmos aquelas palavras pesadas e desagradáveis, nos perguntamos, tentando achar uma resposta convincente: mas como terminou? Diria o poeta que não termina, apenas parte para algum lugar desconhecido. Mas a verdade, a que se sente na pele, é que acaba. Vira pó, mais fino que bicabornato.

Raramente o amor é derrubado por um tiro só, mais fácil que seja por uma saraivada de tirombaços que demoramos a notar, tamanho o costume de estar ao lado da pessoa, tamanha a necessidade de manter as coisas como estão. Nos acostumamos a tudo - cheiros, hábitos, barulhos, gírias -, ignoramos óbvios sinais de enfermidade. Essa é a verdade, porque é difícil pacas assumir o fracasso de algo que construímos com o cuidado com que ergueríamos um castelo de cartas. Assistir à morte de um amor é como assinar embaixo em um atestado de incompetência: "Eu sou um fracassado sentimental".

Mas então puseram palitinhos em nossos olhos e fomos forçados a ver o paciente agonizando na UTI. E o vimos morrer, sem termos tempo de fazer mais nada. E ficamos ali, sofrendo como camelos, achando que nunca mais encontraremos o pires certo para nossa xícara. Ou tentamos ressuscitá-lo e, depois de um tempo (ou dois, três tempos, depende do seu grau de insistência e burrice), percebemos que não sobrou nada mesmo. Só algumas recordações, roupas no armário, escova de dentes na pia e bichinhos de pelúcia. Daí é a hora de lavar a cara, galinhar e encontrar alguém que te faça rir. Game over.

Sou perita em fins. Sou passional, daquelas que escrevem laudas e laudas em louvor do morto, que chora com a cara enfiada no travesseiro, fica deprimida, se humilha se for preciso. Curto a fossa até o fim, pra nunca mais ter de voltar ao assunto. Pelo menos naquele assunto. Não tenho o menor problema em admitir que sofro, e morro de pena dos que passam a vida fingindo não se afetar com nada, nem com a visão dela indo embora. Sabe o que te difere daquele chimpanzé do zoológico? A capacidade de pedir para ela ficar. Ou de mandá-la para o inferno.

Então está na hora de pararmos com essa babaquice de que homem não sofre, não fica deprê e não se comove com recordações. Você nunca sentiu nenhuma dessas coisas? Então acho que você é um chimpanzé. E nem sabe.

Mas, se você é homem digno do substantivo, tenho certeza de que já gastou pelo menos um pouco da sua cota de paspalhice emocional, já ouviu tiração de sarro dos amigos quando estava cabisbaixo por causa da Ermenegilda. Ficou feliz, como um cachorro que ganha osso, quando ela te ligou jurando arrependimento. Quis perfurá-la com espetos de churrasco ao descobrir que a desgraçada saía com o palhaço do seu amigo de faculdade. Ou mandou flores tentando reaver algo que já não te pertencia mais. Parabéns, você viveu, e está aí, pronto para me dar razão numa coisa: pé na bunda dói pra burro - na testa (algumas vezes), na carne (a maioria) e na alma (quando foi muito especial) -, mas sara. Sempre.


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(ailin a.)

Eu só queria um namorinho de portão

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Não, você não precisa ter o abdômen do mocinho da novela, afinal eu adoro meus peitos naturais que se mexem de leve quando eu corro e desaparecem um pouco quando eu emagreço demais. Acho até que posso ficar com sua barriga pra sempre, mas já faz tempo que não acompanho nem uma semana seguida de qualquer novela.
Eu não quero que você me busque num super potente carro, eu só quero que quando você me beije, eu não deseje mais nenhuma força do universo. Estou pouco me lixando se o restaurante tem várias cifras no guia da Folha, mas gostaria muito que a gente esquecesse das mesas ao lado e risse a noite toda, eu até brindaria com água sem bolhinhas.
Sério que tem uma pousada mega-master com ofurô em cima da montanha e charretes cor-de-rosa que trazem o café da manhã? Dane-se, se você conseguir passar, nem que seja algumas horas, encantado pela gente, essa será a maior riqueza que eu posso ganhar.
Sim, a tecnologia é mesmo fantástica, só que hoje eu queria sumir com você para um lugar onde não pegue o celular, não pegue a internet, não pegue a televisão, mas que a gente, em compensação, se pegue muito.
Sim, sim, música eletrônica é demais, celebrar a vida com os amigos é genial, pular bem alto é sensacional. Mas será que a gente não pode colocar um Cartola bem baixinho na vitrola e dançar sozinhos no escuro, só hoje? Será que a gente não pode parar de adjetivar o mundo e se sentir um pouco?
Eu procuro você desde o dia em que nasci, não, eu não dependo de você nem para andar e nem para ser feliz, mas como seria bom andar e ser feliz ao seu lado.
Só que estamos com um problema: vai ser um pouco difícil a gente se conhecer porque tenho evitado sair de casa.
Eu não odeio mais as garotas em série e seus namorados em série, eu não odeio mais a sensação de que o mundo está perdido e as pessoas lutam todos os dias para se parecerem ainda mais com o perdido ao lado, se perdendo ainda mais.
Eu não odeio mais quem cuida do corpo mas esquece da alma, quem cuida do cabelo mas esquece da mente, quem cuida da superfície mas faz eco por dentro, quem coloca um peito de silicone mas esquece de dar mais uma chance ao amor.
Eu não odeio mais a galera feliz em pertencer a um mesmo barco que não vai a lugar nenhum. Eu só acho isso tudo muito triste e prefiro não ver. Eu prefiro não fazer parte da feira que compete pra ver quem tem a casca mais bonita.
Voando eu sei que você não vem, até porque eu jamais namoraria um super-homem: tenho horror a pessoas falsamente infalíveis.
Não quero um homem que sempre vence, que sempre impressiona, que sempre salva e sorri impecável em dentes brancos e músculos ressaltados por um colan com as cores da bandeira americana.
Você pode ter medo de monstrinhos imaginários e dormir com a porta trancada, pode ficar meio tristinho quando, numa festa cheia de amigos, lembrar que é sozinho no mundo, pode perguntar assustado no meio da noite “aonde você vai” mesmo sabendo que é só um xixi, pode até fazer piada com o seu medo de estar vivo, e pode, inclusive, ficar sério e quieto, de repente, por causa disso também.
Não existe Orkut, não existe Messenger, não existe celular, não existe um supercelular que é máquina fotográfica, Orkut e Messenger ao mesmo tempo. Não existe o décimo quarto andar do meu prédio com 8 seguranças lá embaixo. Não existe a balada perfeita com 456 garotas iguais e programadas para te dar um amor levemente inexistente. Não existe esperar que a vida fique mais compacta, mais veloz, mais completa e mais fácil, assim como o computador.
Existe essa coisa simples, antiga e quase esquecida pela possibilidade infinita de se distrair com as mentiras modernas do mundo. Existe o amor, mas onde ele foi parar depois de tudo isso?
Eu não tenho um portão para te esperar, como minha avó um dia esperou pelo meu avô e eles ficaram juntos por 70 anos. Talvez eu também seja engolida por esse mundo que cria tantas facilidades para a gente não sofrer. Tenho medo de que tudo seja uma mentira e de verdade sinto que é, mas ainda acordo feliz todos os dias esperando que ao menos você seja verdade.

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(tati b.)