sábado, 27 de dezembro de 2008

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[...]

Ele vem cheio de cigarros, músicas, doenças e interpretações perfeitas a respeito da minha maluquice. E se esforça pra focar em mim, porque, assim como eu, ele gosta mesmo é de falar de si. E ligo pro velho amigo de sempre. E ele vem correndo, segurar meu coração, aliviar meu pescoço e dizer que nada mudou, foram 56 mil anos mas nada mudou. Ele ainda está aqui pra mim.
E assim consigo dormir mais um dia, passar mais um dia, viver mais algumas horas, sem ligar pra única pessoa que eu queria ligar. Consigo seguir em frente mais um dia sem ligar pra ele. Consigo distrair meus dedos, minha mente, meu peito, minha violência, meu buraco, minha vertigem, meu soco no estômago, meu desespero, meu automático, meu extinto contrário, minha curiosidade infantil mas sempre com resultados duros demais para uma criança, minha vontade de enfiar o dedo na tomada só pra sentir a descarga mortal que tanto parece com impulso de vida. Consigo distrair os batimentos cardíacos que sinto em lugares do meu corpo que ainda queriam mais um toque dele. E partes da minha pele que saem buscando porque ainda não receberam a informação do fim, o sangue ainda não levou a má notícia para meu corpo todo. E consigo distrair minhas roupas, que querem se mostrar, cada dia uma diferente, para ele. Só para ele. E distrair meus ouvidos loucos pela sua voz. E distrair meus pés loucos pra encaixar atrás da sua batata da perna. E distrair minha língua, querendo decodificar e marcar cada centímetro das suas estranhezas. E distrair a crença cansada, a saudade renegada. Distrair essa sobrinha de você que continua enorme, mesmo sendo, agora, uma sobrinha.
A conta vem cara, os amigos são muitos, as risadas invadem, o sofrimento dissipa. Eu sigo. Eu sigo sem ligar. A mão captura rápido o celular, eu começo a colocar o número dele. Mas passa. Ligo pra outro. E outro. E outro. E passo mais um dia sem fazer o que eu sei que não devo. Tudo o que ainda pensa e se preserva em mim grita e eu escuto. Sem cabimento, sem história, sem motivo, sem eco, sem colo, sem cumplicidade, sem acolhimento, sem nada. O que mais eu quero ouvir? O que falta para eu entender que acabou? Que dor falta sentir? Que parte do meu conformismo estava de férias essas semanas? O que falta viver em cemitérios abandonados? O que falta sentir em peitos esfaqueados? O que falta amarrar nesse emaranhado de fios dilacerados que eu virei? O que falta amar em olhares escondidos? O que falta acreditar quando a verdade é tão absurda que ocupa tudo? Não passo de uma força descontrolada que vai dar com a cara na parede branca, dura e incorruptível. Não ligue! Ligue para o mundo inteiro, encha o mundo inteiro, canse o mundo inteiro, ame o mundo inteiro. Vamos, mais um dia. Tente mais um pouco o resto. Daqui a pouco, esse resto vira rotina. Esse resto vira tudo. E ele será resto. Mais um pouco. Vamos, se esforce. Use essa violência para construir uma parede e não mais para sair esmurrando outras paredes por aí. Vamos, não ligue. Daqui a pouco isso se perde, como tudo. Como todas as pessoas fazem. As pessoas fazem isso, e seguem, equilibradas, frias, certas, velhas, assustadoras. Você pode ser como elas. Você é como elas. Não, você não é. Mas foda-se. Mesmo assim, não ligue. Nunca mais.

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[Tati B. - modificado]

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Vazio.

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Fui na Bienal hoje. Tem um andar inteiro vazio. Parece comigo. Eu tenho um andar inteiro vazio. Os meus cinqüenta e oito andares estão vazios. Está tudo vazio.
Eu queria avisar as pessoas que eu era a melhor instalação da Bienal. Veio ver o vazio? Olhe pra mim. Não tenho nada dentro de mim. Nada. Não tenho vontade nenhuma de lutar por você, mas também não tenho vontade nenhuma de não lutar. Não espero nada, mas também não espero outra coisa nenhuma. Eu não tenho nada. Eu perambulo por aí, atendendo meus 78 mil amigos e odiando ver o nome de cada um deles no visor do meu celular. Todos divertidos, leves, incríveis, amigos. E eu cagando um mundo pra toda essa merda.
Aí na Bienal fiquei sabendo que uma professora enlouqueceu e jogou umas fotografias lá pra baixo. Ninguém entendeu nada. Mas eu acho que entendi. O vazio dá desespero, cara. Dá um desespero filho da puta.
O vazio dá um desespero silencioso. É como se o tempo jogado no lixo batesse sutil, num relógio esquecido em algum canto do quarto, que você só descobre quando está muito de madrugada e ao longe você escuta aquele tic,tac,tic,tac. Um batida que quase não existe. Você não sabe se é o tempo sendo contado pra você ou o seu coração contando você pro tempo. Um desespero sem cara de desespero. Mas que é desespero puro. A pior espécie dele.
Aquele tobogã da Bienal...que porra é aquela? Sofrer anda tão sem graça que mergulhar no vazio tem fila e casal de mãos dadas.
Tem três seguranças no andar vazio da Bienal. A vida anda tão sem graça que até o nada corre risco de ser roubado. Até porra nenhuma precisa de vigília. E eles com aquela cara brava, fechada. Uma cara familiar pra mim. Da pessoa que protege o nada como se fosse a única coisa que ainda restou. Um egoísmo em dividir o nada e ver ele virando alguma coisa.
Ai que dor. Que dor. Que merda. Que lixo. O andar vazio da Bienal tem cestos de lixos espalhados. A vida anda tão chata que nem o nada pode sujar. Eu queria ter gritado. Eu queria ter essa cara de pau. E ter berrado no meio do andar vazio da Bienal. Um grito de nada. Pior é que eu berrei. Berrei com o pior tipo de desespero do mundo. Meu silêncio, meu conformismo, minha aceitação, minha quase maturidade.
Eu tenho a impressão que a hora que eu chorar, vai ser das coisas mais tristes do mundo. Mais triste que aquelas crianças carentes correndo pelo vazio da Bienal. Mais triste que o sol frio entrando pelo vazio da Bienal. Mais triste que a mulher tirando foto do marido descendo no tobogã da Bienal. E aquela bandinha que fica embaixo do pão de queijo. E o velhinho com uma ave azul no ombro. Mais triste que os gringos tirando fotos com as crianças carentes correndo ao fundo do andar vazio da Bienal. No vazio cabe um monte de coisa, mas nenhuma se encaixa. Todas deslizam pelo rio de lágrimas que inundam todos os meus andares vazios. A hora que eu chorar, vai ser o choro mais triste do mundo.

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[Tati B.]

domingo, 21 de dezembro de 2008

Drogadita do Amor

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Alto, alto, alto. Subir, subir, subir. Ele disse uma frase certa, eu subo. Ele me olha do jeito certo, eu subo. Ele faz tudo errado e do jeito dele, eu subo também. Já não vejo mais o que ele diz e nem como ele faz, imagino, ele, assim, passível da minha imaginação. E eu subo, subo, subo. Não me deixe cair. Continue aí, não se mexa, repita aquela frase, com sua voz, perto do meu ouvido. Continue aparecendo nos mesmos horários e apenas some horas, jamais as tire de mim. Continue me amando como no primeiro minuto e ame mais e mais, jamais me tire amor. Mais, quero cheirar mais, aspirar mais. Não me deixe cair. Continue aí, não se mexa. Mais, mais, eu quero mais. Alto, alto, alto, só sei viver aqui. O resto dos dias e dos meses e de tudo, é espera. Espera para subir. Eu só sei viver aqui. Uma frase que leio e então eu subo. Um filme que vejo e então subo. Uma música. Um ódio também. Uma possibilidade de ser bicho e sentir as coisas assim desenfreadas e naturais e descabidas e violentas. E então eu subo. Vejo que a vida está prestes a ficar mais uma e então eu causo. Eu lambo as pessoas. Eu ofendo as pessoas. Eu desapareço. Eu apareço sem avisar. Me desculpem, mas é assim que a vida volta. É assim que sinto a vida e não apenas as paredes da minha prisão nesse corpinho que eu nem sei se escolhi. É assim que volta a doer tudo, as tripas e seus nós, os fígados e seus medos, os corações e seus tamanhos além do espaço que deram pra gente. Eu tenho medo do chato, da hora de ir embora, eu tenho medo dos minutos do dia que não poderiam estar nesse filme que congela a respiração num susto longo, eu tenho medo dos casais que andam comportados e podados e agendados e controlados e casados. Não me deixe cair. Continue me dando vida, vida. Não quero, não sei viver, assim, em dias que se arrastam com suas burocracias de papéis cortantes, delicadezas vazias, obrigações sem talento e esforços sobrenaturais para não doer os outros. Uma vontade horrorosa de não existir mais. Não morro. Insisto. Daqui a pouco subo de novo. Um novo moço, um novo filme, uma nova história, ele de novo, como eu queria, ele de novo, e de novo e de novo, eu só queria ele de novo e de novo e de novo e de novo e de novo e qualquer coisa que me tire da espera e me leve pra onde não agüento. Minha vida é estar entre a espera e o lugar alto do qual tenho vertigem. Não sei viver em lugar nenhum. Mas a vertigem, a vertigem, que maravilhoso que é quase morrer de tanto que se está vivo. Que maravilhoso que é poder se estatelar de vida e não de tédio. Sou uma drogada. Sou uma viciada. Preciso de ajuda, de médico, de remédio. Porque sou tão viciada em sentir esse torpor que todo o resto dos dias não passam de uma merda completa e uma espera insuportável. E a maneira dele falar, me olhar, e as coisas que ele vai saber e dizer. E então eu subo. E como ele se movimenta e então eu subo. E como ele diz que quer fazer e faz e eu subo. Não me tire daqui, não sei viver, sim, é infantil, mas decidi ser infantil, armei toda a minha vida em volta do meu maior desejo que é ser infantil. E de novo, de novo, de novo, igual pedem as crianças. Quem não quiser brincar, apertar o play, jogar o jogo, apertar de novo o último andar, que morra estatelado do alto da minha vontade de sentir a vida. De novo eu quero girar. De novo eu quero ser virada de ponta-cabeça. De novo empurra forte a balança, o carrinho, tudo. De novo, de novo, de novo. E mais e sem fim e insuportavelmente muito. De novo. Mais brinquedo, mais amor, mais desespero. Eu quero sentir desespero. Eu quero cheirar mais, aspirar. Não me deixe cair, eu só sei viver aqui em cima. É frio, solitário, me dá sopro no coração, vontade de vomitar, sensação de morte, não como, não durmo, não sei, mas é aqui que sei viver. E de onde tudo fica valendo a pena. Me deixe ficar aqui em cima, mais e mais e mais. Eu sei, ninguém agüenta, todo dia, toda hora, eles querem subir, e me dão suas mãos calejadas, me leve com você, e eu levo, e eu levo eles comigo, lá pra cima, onde tudo dói tanto e ao mesmo tempo alegra além da vida. Mas eles pedem pra descer. Homens precisam estar no controle e precisam trabalhar e precisam sentir a vida rasteira e gostar dela, pra se libertar dessa vida fugaz e maravilhosa e terrível que sentem comigo, precisam raspar a sujeira de bosta dos sapatos no chão áspero. E eles pedem pra descer. E eu preciso estar no alto, congelada de frio e sozinha e filha da “putamente” congelada de frio e sozinha de novo. E então abro as mãos. Caiam. Vocês, meus amores, todos vocês, tão amados, todos vocês, que já viram esse descontrole meu, essa dor minha, esse desejo, vocês, queridos, meros traficantes, meros entregadores, meros fornecedores da minha droga. Apenas isso. Daqui a pouco vem outro e outro e outro. E nenhum fica. E sim é culpa deles. E minha. E da vida. Não existe culpa, existe apenas meu tempo e meu espaço que de tão corridos e altos não cruzam ninguém muito tempo, apenas dão uma ou outra breve carona no meu carrinho da montanha russa. Empresto vida demais pra quem me empresta um pouco sequer de vida. Preciso do disparo, de uma única bala e então acordo e saio chacinando tudo. Morra chatice de vida que vou levando ao lado dos que vão levando. E subo. Só sei viver d aqui. Desse lugar irreal e infantil e ridículo e absurdo. Esse lugar que defendo tanto com meus enormes dentes e unhas da cor pink. Como é triste e absurdo e solitário defender um lugar que não existe e que eu própria não tenho músculos e nem fé para suportar. Eu defendo o lugar do qual não pertenço, mas pra onde eu tenho eterna passagem comprada e cancelada e comprada e cancelada. A espera de alguém que não vá embora, que agüente, que divida meu desespero ou apenas o suporte. A espera da pessoa que suba comigo e fique comigo lá em cima, me ensinando a viver lá de cima. A espera da pessoa que faça aqui embaixo ser algo tão bom que eu não precise mais brincar de assassina de tudo e de mim mesma. A espera da pessoa que não morra quando jogada da minha janela altíssima. E suba de novo. Ou não caia. Entenda que minha porrada não era para jogá-la do alto mas apenas porque estar no alto é se debater em tudo. E volte. E fique. E me deixe aqui em baixo. E me deixe aqui em cima. A espera eterna de mim mesma na versão que faz dar certo. Subir, subir, subir. Venham fornecedores, venham. Meros e caríssimos fornecedores. Minhas gasolinas do parque de diversões. Meus amores. Meu amor. De novo, meu amor. De novo. De novo. Subir. Subir. Subir. Me traga a minha droga antes que eu cheire coisas mais burras e mais feias e mais baratas e mais sem graças e mais menos qualquer coisa e sinta a pior ressaca do mundo que é a ressaca da droga fraca. Me traga, vamos girar forte, subir muito alto, olhar todo mundo lá de cima e o medo de cair, o medo de despencar, as coxas flácidas, os olhos esbugalhados, caveiras cheias de uma vida que de tão louca nem existe nesse mundo. Subir, subir, subir. De novo, de novo, de novo. E cair. E cair gostoso. No fundo, eu gosto é de cair gostoso. Gostoso. Porque cair é subir de novo, estar lá em cima, alto demais, é apenas gritar, alto demais, e não ter ninguém pra ouvir. Socorro. Socorro. Socorro.

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[Tati B.]

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Pure Hate

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Encetou!
A furia que sai dos meus pulmões fogo que consome teu som de tolo pertuba a mente dos fracos que nunca olham pros lados. Queima essa ignorância que te domina, foge dessa porra que só fode, te leva pra lona, te pisa e te soterra, te levanta pros que te exploram!
Ódio!
Combustível pra minha reação
Matar ou morrer por mim!

Podridão que abarca impregna minha roupa e minhas narinas vou vomitar tudo de volta em você!
Dor!
Agora estás como merece!
Atolado na própria merda até o pescoço sem conseguir acenar pra quem se diz teu amigo
Veja eles fugindo.
Cores e promessas jogadas a se camuflar
Vamos chutar tua cabeça até o jogo começar, até esse lixo com idéias fúteis do pescoço se soltar!

O funeral não vai ser necessário.
Porcos sedentos comem da tua carne, bebem do teu sangue, deliciam tua pobre cabeça vermelha e do estomago das feras tu vais de figurado a literal seu bosta!


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[HUGO *---*]


[Porque eu TINHA que copiar! *-*]

Beijo, Hugo! :}

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sábado, 15 de novembro de 2008

Esses caras... hahahahaha

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UAHUAUHAUHAU HUA UHAU AUHUA UAHU AUHUAHUAHUhauhUHAUhuah uHAUH uahuHAUHuhau HAU HuahUHUHuhauhu AHuahuHAUSHUahushaUSHUAhsu U U U SU AUHUHUAHUHUhauhUAHUahuhU AHUAUAHUAUHAUHAU HUA UHAU AUHUA UAHU AU AUAhsu U U U SU AUHUHUAHUHUhauhUAHUahuhU AHUAUAHUAUHAUHAU HUA UHAU AUHUA UAHU AUHUAHUAHUhauhUHAUhuah uHAUH uahuHAUHuhau HAU HuahuhAU Hh auhuh UHUHuhauhu AHuahuHAUSHUahushaUSHUAhsu U U U SU AUHUHUAHUHUhauhUAHUahuhU AAUHUHUAHUHUhauhUAHUahuhU AHUAUAHUAUHAUHAU HUA UHAU AUHUA UAHU AUHUAHUAHUhauhUHAUhuah uHAUH uahuHAUHuhau HAU HuahuhAU Hh auhuh UHUHuhauhu AHuahuHAUSHUahushaUSHUAhsu U U U SU AUHUHUAHUHUhauhUAHUahuhU AHUA




Definitivamente, os homens são toooooooodos iguais... TODINHOS!!
São todos umas putas no cio, man. xD
Hahauhauhuahuahuauaa... E eu me acaaaaaaaaaaaaaaaaaabo de rir quando eu vejo exemplificação de tal raça. :D:D:D:D
Ahauahuhauhuahuhau aua uhauUAHUHAUHuahuAHUHuahuHUAHUhauhuHAUHua...

OBRIGADA POR FAZER MEU DIA FICAR TÃÃÃÃO ENGRAÇADO!

xD

Ah, me exaltei ao falar que as datas deveriam não existir...
:)

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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Suck

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AAAAAAAAAAAAARRRGGGGGHHH!!!!
Que ódio de mim, man!
Ò__Ó
Por que aquilo ameaça voltar de novo sem NENHUM estimulo?
Acho que sou idiota.
E eu preciso tirar férias de mim.
Alguém me sequestra?

Mantra: esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece, esquece e vai estudar, PORRA!!!!!

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(Bruna M.)

Perry Mason

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[...]
Acorde-me quando estiver acabado,
diga-me que está tudo bem

Apenas continue falando baby
Eu estive fazendo isso à noite inteira
Quanto você me deu,
diga-me que estará tudo bem


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(8)
Ah, quem é Wheels? :D

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terça-feira, 4 de novembro de 2008

?

E se… ?

E se… ?


E se… ?


E se… ?


E se… ?

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Qualquer coisa. Pergunta-me qualquer coisa. Uma tolice um mistério indecifrável. Simplesmente para que eu saiba que queres ainda saber. Para que mesmo sem te responder saibas o que te quero dizer

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(chasquinho de neneno)

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Pois é...

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[...]

E ele já está começando a se tornar um estranho pra mim.
Um conhecido apenas...
Uns sonhos, um tanto quanto reais, me fazem pensar que ainda continuava alí, como no começo.
Bonito, mas só um sonho.


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(Bruna M.)

8-)

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Que cu.
A neura me persegue.
Parece que a vida de todo vai pra frente menos a minha, e as coisas boas só acontecem aos outros. o_o
Isso me assusta... de verdade.
Estou começando a entrar em uma crise existencial (patética, por sinal).
Suck!

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Yeah.

True.

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For a lot of people it's easier fuck than talk

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(tell me you love me.)

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Mulher da Vida.

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Na próxima vida ela queria voltar puta.
Estava decidida.
Já tinha pensado em voltar monja tibetana, patinadora do gelo, chihuahua de madame, primeira dama americana, pensou até em pedir para voltar como neta de si mesma. Mas nenhuma das possibilidades lhe parecia tão agradável quanto à de puta.
“Puta, putona mesmo, bem biscatão”, repetia, feito um mantra.
Não a importava muito que nas sessões de terapia de vidas passadas lhe dissessem que ela já havia sido uma cortesã no final do século XIX e que, para evoluir, não poderia retroceder nesse processo espiritual supostamente ascendente. Mas para ela, de que adiantava ter sido puta no passado? Queria ser puta é no futuro! E só voltaria para cá se fosse assim, bem putanga mesmo.
Não serviria de nada voltar como enfermeira, agrônoma, costureira, operadora de caixa, atriz ou homem - ela refutaria tudo com o vigor de uma pré-cocote: “Puta, puta, puta! E nada mais! Senão, não volto! E pronto, acabou”.
Queria reencarnar como uma puta francesa cibernética, uma mulher da vida avant-garde. Dar, meu amigo, só profissionalmente!
Ficaria o dia todo à toa, fazendo jus ao título “mulher de vida fácil” com o qual a sociedade, tão previsível, lhe honraria.
Só lá pelas nove da noite, vestida em um baby doll transparente de seda lilás através do qual se veria sua cinta-liga dourada, é que checaria seus emails para verificar o melhor lance da noite. Em meio às 256 mensagens recebidas, ficaria em dúvida entre a proposta do banqueiro com a cara do Gerard Depardieu e a do empresário garanhão com ares de Nicholas Sarkozy.
Como seu filtro para homens seria absolutamente pragmático e profissional, fecharia negócio com aquele, com a maior casa na Côte d’Azur.
Seriam três horas de trabalho pesado, duas garrafas de Cliquot e um orgasmo fingido (coisa que ela já vinha fazendo na vida atual sem que isso tivesse lhe rendido um só centavo que fosse) e fim. Os rendimentos do mês estariam garantidos. Seria uma puta francesa, cibernética e cara. Muito cara.
Depois de um tempo, quando ela já estivesse cansada da vida de puta (sim, porque toda vida cansa, enfim) - ela teria juntado material suficiente para escrever um livro. É que ela voltaria puta, francesa, cibernética, cara e escritora, também.
Seu livro estaria cheio daqueles detalhes sórdidos, devassos e silenciosos que toda mulher não-puta acha que vai aprender ao mergulhar na vida de uma puta. Ganharia muito dinheiro às custas dessas bobalhonas que não sabem que, se quiserem agir como putas, têm que nascer putas, oras. E isso ela, que era esperta, já estava providenciando com toda uma encarnação de antecedência.
Quando o livro virasse um Best Seller e ela já tivesse dado entrevistas no Jô, na Marília Gabi Gabriela, no Serginho Groissman, no Letterman e na Oprah, ela venderia os direitos para um produtor de Hollywood. Ela seria consultada até para a escolha do casting. Siena Miller faria o seu papel e Russel Crowe o milionário que se apaixonaria por ela.
O casamento, aliás, seria o capítulo final do livro. E naturalmente a última cena do filme. Mas não a última cena de sua vida, que ainda iria longe depois do divórcio, que lhe renderia 50% de todo o patrimônio do milionário, mais do que suficiente para que comprasse a casa na Côte d’Azur de um antigo cliente.
Na próxima vida ela queria voltar puta, ah, como queria. E pensava nisso enquanto tomava chuva a caminho do ponto de ônibus, depois de ralar por catorze horas sem intervalo e tomar duas enrabadas (sem Cliquot) do seu chefe insensível, carrancudo e mal ajambrado.
Queria voltar puta, sim.
E, de preferência, cafetina de si mesma.

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(Cléo A.)

sábado, 4 de outubro de 2008

O Golpe

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Só eu sei como é difícil descalçar as longas e brutas botas. E repensar pela milésima vez se tudo bem essas meias, se tudo bem esses pés, se tudo bem meu vicio em me estalar mil vezes, me contorcer, não conseguir pisar direito nos lugares onde nunca pisei e muito menos nos lugares onde já pisei de tudo quanto foi jeito. Tudo bem essa pequena tortura dos meus ossos e dos meus pensamentos? Tudo bem eu querer correr muito rápido sem me levantar?
Enfim, botas tiradas. Elas caem, fazem barulho, sinto o primeiro golpe. Não estou mais protegida dos cacos, poeiras e rebarbas do chão querendo me lembrar que existe chão e que até chão dói.
Agora é a vez da blusa. Está tão frio. Eu quero te pedir. Por favor. Tira devagar. Tira sem deixar o golpe me matar. Eu sei, eu já tirei essa blusa tantas vezes. Não sou nenhuma inexperiente e nenhuma garotinha. Mas você me deixa desse jeito, como se tudo fosse a primeira vez. Tenho medo de vomitar, chorar, tenho medo do teto cair. Tenho medo da tristeza. Tenho medo da alegria absurda. E de você cantar o sambinha mais lindo do mundo do Cartola e eu sentir uma alegria tão grande que eu comece a tremer e seja obrigada a te mostrar o quanto não pertenço a esse mundo. E tenho medo de você olhar minha parte ET e gostar da minha parte ET e de nunca mais eu voltar a calçar minhas botas e minha blusinha. Eu tenho medo de esquentar em você e nunca mais fugir do frio. Mas ainda está frio. Então se eu tremer não fala nada, continua me olhando como se fossemos velhos amigos do mesmo disco voador que trouxe a gente pra esse mundo de pessoas que não tremem.
Chegou a hora da calça. Olha, tira devagar. Não dá risada da minha cara. Sei lá o motivo mas me atacou uma bobeira imensa e eu estou tão nervosa. Perder a virgindade da alma pode doer mais do que qualquer dor da adolescência. Então me explica um pouco porque não tem luz no seu banheiro e porque você não joga fora as correspondências de 2001 e porque você tem tantas escovas de dente e porque seu celular não toca e porque eu me sinto com esse gostosinho no peito vinte e cinco horas por dia. Me explica? E você diz que não é pra gente falar nada. E isso já é toda a explicação que eu preciso.
Tirar a roupa é tão fácil. Mas tirar todas as minhas quinhentas peles pra você, só porque é o único jeito de estar com você, tem o frio e a dor e o peso e o medo de zilhões de roupas. Então não ri de mim. Elas foram construídas por tantos dias e meses e anos e vidas. E, de repente, só porque você subiu todos os meus quinhentos andares e não levou um susto quando eu abri a porta, eu resolvi tirar as minhas quinhentas peles. Então cuida do meu sangue correndo atabalhoado, dos meus músculos tentando sobreviver a tantas descargas, das minhas células desesperadas pra entender tanta renovação e do meu peito querendo vomitar mil anos e devorar mil comidas, ao mesmo tempo, causando esse bolo enorme que não me permite dizer nada do que não sou. Eu canto pra você a minha essência e você batuca no mesmo ritmo. A gente é uma música de sucesso que só nós dois escutamos. E só agora eu entendo que isso é algo bom.
Não tem mais nada pra tirar. É a noite mais fria do ano. O mais incrível, e o que me faz querer fazer as pazes com o mundo e o que me faz querer agradecer a vida por achar que eu mereço isso, é que eu sei que, caso você vá embora, já valeu o golpe. O golpe de ar, de vento, de gelo, de tudo.

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[Tati B.]

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

A Certain Romance...

CLIQUEM
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Bom eles podem usar reeboks clássicos
Ou converse acabados
Ou bottons enfiados nas meias
Mas essa não é a questão
A questão é que não existe mais romance por aí

E essa é a verdade que eles não conseguem ver
Eles provavelmente gostariam de me dar um soco
E se você pudesse vê-los por um instante,
você concordaria
Concordaria que não existe mais romance por aí

Oh é uma coisa engraçada sabe
Contaremos para eles se você quiser
Contaremos para eles hoje a noite
Mas eles nunca vão ouvir
Por que as mentes deles já estão feitas
E tudo bem continuar desse jeito

E por ali tem ossos quebrados
Só existe música, então existem novos ringtones
Não é preciso nenhum sherlock holmes
Pra ver que é um pouco diferente por aqui

Não me entenda mal, oh
Existem garotos em bandas
E crianças que gostam de brigar em poças
E só por que ele foi preso umas duas vezes
Ele acha que está tudo bem agir como um idiota

Oh, é uma coisa engraçada sabe
Contaremos para eles se você quiser
Contaremos para eles hoje à noite
Mas eles nunca vão ouvir
Por que suas mentes já estão feitas
E tudo bem continuar desse jeito

Eu disse não
Oh não!
Oh você não tem que me levar!
Pra lugar nenhum, eu disse lugar nenhum
Eu não vou
Oh não não não!

Bom por ali tem amigos meus
O que eu posso dizer, eu conheço eles há muito,
muito tempo...
E eles podem passar dos limites
Mas você não consegue ficar bravo do mesmo jeito
Não do mesmo jeito
Não do mesmo jeito
Oh não, oh não não


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(arctic monkeys)

BuddyPoke



Nhooooin... Meu BuddyPoke não é o mais fofinho? *¬*
Hahaha...
É incrível como esses bonequinhos ficam mais bonitos que a gente! xD
=**, para os Y fiéis leitores.
:D

Bruna.

Uma Promessa

Por que damos o melhor dos nossos corações para aqueles que raramente pensam em nós? Ou
para aqueles que mais nos farão sofrer?


Mas coisas nem sempre serão justas na vida real. É assim que as coisas são. Mas, na maioria das vezes, você recebe o que dá. Mas o que seria pior? Não conseguir tudo que você sonhou... Ou conseguir, e descobrir que não é o bastante? Porque, afinal, existem 2 tragédias na vida. Uma é perder o que o seu coração deseja. A outra é conseguir.


Às vezes parece que foi ontem. Formando-se no colégio, dizendo adeus. Os abraços apertados, os olhos cheios de lágrimas, promessas de "para sempre amigos" que no fundo você sabe que pode não se realizar. Aquela sensação que você tem aos 17 ou 18 anos, que ninguém no mundo esteve tão próximo... Amou tão ferozmente... Riu com tanta vontade... Ou importou-se tanto assim. Às vezes parece que foi ontem. E às vezes... parecem as lembranças de outra pessoa.


Você acha que me conhece,mas não conhece. E isso significa que você não sabe do que eu sou capaz. Porque a coragem da vida é uma magnifica mistura de triunfo e tragédia. E um homem faz o que precisa sem pensar nas consequencias. Sem pensar nos obstaculos e estragos ou na pressão. E essa é a base de toda moralidade.


Mas a felicidade vem. Sim, ela vem de muitas formas. E ás vezes, na companhia de bons amigos. Amigos que ainda lutam pelas promessas de tempos antigos. Amigos como eu e você.


Lembre-se dessas promessas, porque ela é o começo de sempre. Uma promessa.


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Bessa.

AMICO

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"Algumas pessoas acreditam que, sem história, nossas vidas se resumem em nada. Em algum momento, temos que escolher: regredimos ao conhecido, ou damos um passo a frente a algo novo?
É difícil não ser caçado pelo nosso passado. Nossa história é o que nos dá forma... o que nos guia.
Ela ressurge de tempo em tempo. Então, temos que lembrar que às vezes, a história mais importante é a que estamos fazendo hoje."

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(michel's heart) haha

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

3ª Teoria de Einstein

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"Devido à velocidade da luz ser superior à do som,
Algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."

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Eu quero! *-*

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"- Marry me.
- What?
- I mean it, I don’t wanna wait. I want to make this official.
- Because I changed the lightbulbs?
- No… yeah. Because, Scotty, that’s who you are.
I’m completely, completely, in love with you. I even love the things about you that I hate. Because you make me feel that I don’t have to be anyone other than who I am. And to me that feels like family and that’s what I want us to be. I want us to be a family because that never ends.
Scotty I am asking you. Would you please marry me?
"


*---*
Amay!

.

Lie

-

Porque todas as nossas mentiras não passam de manobras de convencimento e protecção de nós para nós.
Os outros são apenas um veículo para nos convencermos da verdade que menos nos magoa.

-

(missm)

Just like me.

-

Porque é pela inspiração consequente à perda, que analiso a gravidade da mesma e o quanto foi importante ou não... na medida do que escrevo sobre, verifico o nível de importância do mesmo na minha simple life...

-

(missm)

Ahaaaan...

-

... porque é que são, na sua grande maioria, incapazes de manter uma relação normal após a extinção da fase cama?
Por que é que precisam de se afastar completamente, como se de uma doença contagiosa se tratasse?
É tão simples a reciprocidade e a manutenção de algo que passa da química à cumplicidade e amizade...
Ainda dizem que nós, mulheres, é que somos complicadas! Pode?
Haha... xD

-


(missm). modificado

Do not


-

Incomoda-me a ausência de cheiro e de sabor...

-

(missm)

Brisas...


Há uma melancolia profunda nas notas de piano que embalam este percurso incerto da minha não-essência que hoje se faz sentir.

Está frio em mim. Mas não tenho janelas para fechar.

Pelo menos não hoje.

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(as conversas que não tivemos)

Orelha

-

orelha orelha orelha ovelha orelha orelhera olhera olhera orelha onelha oreia orelha orelha orenda orilha orelha orelha orelha orera olera orelha olhera porra orelha orema orelha orelha orelha orelha orera ovelha orelha onera orera ovelha orelha caralho orelha orelha olhera oreilha olhelha orelha oreia olhera olhela orelha olhera olhera orelha onelha oreia orelha orelha orenda puta que pariu orelha orelha orelha..

-

-___-'

.

Wait...



Antes ela sentava-se ali todos os dias. E esperava. Havia sempre algo por que valia a pena esperar. Porque ainda não lhe tinham dito a verdade. E então ela acreditava, talvez porque o céu fosse quase sempre azul e o mar lhe fizesse prova de confiança de cada vez que lhe vinha beijar os pés.

Mas há muito que a cadeira está vazia agora.

Foi exatamente ali que ela se desiludiu. Com ela mesma, com os outros, com as esperas em vão e até com o próprio mar que ás vezes se esquecia de a vir acariciar. E era sempre tão pouco o que ela esperava.

Muitas vezes apenas que os outros soubessem compreender e receber o que ela tinha para dar. Porque questionava-se frequentemente o que fazer com a ternura que tinha para dar...
Penso que fazemos isso quando o espaço à nossa volta não a parece conseguir conter. E isso entristecia-a. E fazia com que abandonasse a cadeira em que costumava sentar-se.

Cansou-se de estar ali. A cadeira abandonada confundiu-se com o cenário. Os dias foram deixando de se lembrar das coisas pequeninas, das aparentes insignificâncias. Aquelas pelas quais ela se sentava e esperava.

Agora não. Não vale a pena esperar pelo que ela sabe que não vai chegar. Talvez o lugar na cadeira nunca tenha sido realmente dela. Talvez a vida se tenha mesmo esquecido de acontecer mais vezes...


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(as conversas que não tivemos)

#

-

Às vezes precisamos de um valente murro no estômago para voltar a sentir.

-

Old Piano




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Ultimamente encontro-te várias vezes enquanto percorres calmamente as ruas da minha alma. Esse puzzle confuso e também assustador de emoções e afectos.

Ultimamente há mais paisagens dentro de mim. Planícies intermináveis de areia fina.
E há brisas suaves. Que me trazem melodias tocadas com notas de esquecimento.
E que afagam as tuas viagens no fundo de mim.

São pianos com teclas gastas de tantas mãos que não os souberam tocar.
São atalhos que se recriaram apenas para que pudesses voltar.

Shhhh...
Escuta.
Fica.

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(as conversas que não tivemos)

Love

-

"What has love become? It's not like we used to hear in those old songs. Love is a fast song."

-

A primeira vez

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O céu estava claro,

A lua quase dourada,

Ali no campo eu e ela,

E não se via mais nada

A pele suave

As ancas expostas

E eu tocando de leve

O macio de suas costas

Não sabendo começar

Olhei o corpo esguio.

Decidi por as mãos

Sobre seu peito macio.

Eu sentia medo

Meu coracao forte batia

Enquanto ela bem lentamente

As firmes pernas abria

Vitoria! Eu consegui!

Tudo entao melhorou.

Pelo menos desta vez

O liquido branco jorrou.

Finalmente tudo acabou,

Mas quase que eu saio de maca

Foi assim a primeira vez

Que eu tirei leite de uma vaca


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ahUAHuahuHAUhuahuhUAUa... xD

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quarta-feira, 27 de agosto de 2008

>D

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"Sou irracionalmente desconfiada e passional. Não me dê motivos, por favor, para que eu me arrependa de amar você. Porque, quando me arrepender de te amar, já não vou ter mais do que me arrepender. E aí, querido, vou ser capaz de qualquer coisa"

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(ailin a.)

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

o/

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Aí eu lembrei que os filmes de que eu mais gosto são aqueles despretenciosos que contam a história de uma pessoa idiota como eu.

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Procura-se esperança desesperadamente

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Pra onde foi a minha inspiração? Cadê? Uma preguiça de acordar. Uma preguiça de tomar banho, escolher uma roupa, escolher entre bolo de chocolate e suco de laranja. Tudo parece ter o mesmo gosto falso de paliativos. De forte somente a preguiça de contar de tantas preguiças.
Da cartilha do sucesso, que manda estudar, amar o que se faz e se relacionar bem, apenas amei. Nem isso faço mais. Sou uma péssima aluna.
Tenho a impressão de ter chegado ao topo de uma montanha, mas ela era muito alta e afastada e ninguém me viu.
Em vez de sucesso sinto segundos desejáveis de suicídio, vontade de pular lá de cima da montanha com o dedo desejando um último foda-se ao mundo. Nem que seja para fazer barulho e sujar o chão dos equilibrados. Nem que seja para fazer falta.
Cadê o gosto intenso de fugir do mundo com um segredo fatal? Não existem segredos fatais: todo mundo come todo mundo por caça e infelicidade. Somos animais tristes e não seres loucos e apaixonados. Eu me enganei tanto com o ser humano que ando com preguiça de me entregar.
Ninguém tem coragem pra mudar nada, ou apenas é inteligente para saber que a rotina chega de um jeito ou de outro, não adianta se mover.
Pra quem faço falta e aonde me encaixo? Aonde sou útil e pra quem sou essencial? Pra onde vou e aonde descanso? Pra quem e por quem vivo?
Freud mexeu três vezes no túmulo com a vontade de me dizer que devo viver por mim. Dane-se a psicanálise: é muito mais gostoso ter outros encantamentos, além do umbigo.
Não que esses encantamentos não sejam para agradar meu umbigo. Ok, fiz as pazes com Freud, que deve achar o egoísta um pouco menos doente que o depressivo.
Ou não, não fiz as pazes com Freud, que acha tudo farinha do mesmo saco e nem está prestando atenção em mim. Ele é só mais um a não enxergar o alto da montanha, mesmo porque ele está embaixo da terra. Incluo Freud no meu "foda-se o mundo". Que papo é esse?
A esperança desesperada por amor e reconhecimento profissional deixou escapar a cansada esperança que se assustou de desespero.
Perdi meu deslumbramento, a válvula propulsora da vida que tive até aqui.
Cansei de me encantar pelo difícil. Que tal um homem e um salário de verdade pra viver uma vida de verdade? Chega da miséria do sonho.
Chega de idealizar uma vida com um fone no ouvido. Eu quero tocar, eu quero cair das nuvenzinhas acima da minha cabeça.
Junto com meu deslumbramento, perdi boa parte de quem eu era. Boa parte tão grande que não tenho para onde ir. Sou uma sem-vida.
Junto com o meu deslumbramento, perdi o rumo: quem não sonha não sabe aonde quer chegar.
O sonho guia, leva longe. Mas de frustrado ele te faz retroceder alguns anos, te transforma em criança assustada. Sei disso quando durmo em posição fetal querendo ser devolvida ao quente da minha proteção primária. Freud volta a ser meu amigo.
Minha esperança é que o sonho esteja apenas cansado e depois de uma boa noite retorne colorido, musicado e perfumado. Eu disse a minha esperança? Então eu ainda tenho alguma? Nem tudo está perdido.
Estou deslumbrada com a vida, que te devolve à infância quando o mundo adulto atropela e fere. Lá na infância você se enche de sonhos e volta preparada para o mundo adulto, que se ocupa a frustrá-los todos novamente.
Eu disse que estou deslumbrada? Não, eu não disse, eu escrevi. Que papo é esse?
Entre idas e vindas me resumo feliz. Entre altos e baixos me resumo equilibrada. Sendo assim, tá na cara e não tem pane: ando meio mal mas vou sair dessa.

Oh yeah.

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(tati b.)

Amor não se pede.

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Se implorar resolvesse, não me importaria. De joelhos, no milho, em espinhos, agachada, com o cofrinho aparecendo.
Uma loucura qualquer, se ajudasse, eu faria com o maior prazer. Do ridículo ao medo:
pularia pelada de bungee jump.
Chorar, se desse resultado, eu acabaria com a seca de qualquer Estado, de qualquer
espírito.
Mas amor não se pede, imagine só.
Ei, seu tonto, será que você não pode me olhar com olhos de devoção porque eu estou
aqui quase esmagada com sua presença? Não, não dá pra dizer isso.
Ei, seu velho, será que você pode me abraçar como se estivéssemos caindo de
uma ponte porque eu estou aqui sem chão com sua presença? Não, você não pode dizer isso.
Ei, monstro do lixo, será que você pode me beijar como um beijo de final de filme porque eu estou aqui sem saliva, sem ar, sem vida com a sua presença? Definitivamente, não, melhor não.
Amor não se pede, é uma pena.
É uma pena correr com pulinhos enganados de felicidade e levar uma rasteira.
É uma pena ter o coração inchado de amar sozinha, olhos inchados de amar sozinha. Um
semblante altista de quem constrói sozinho sonhos.
Mas você não pode, não, eu sei que dá vontade, mas não dá pra ligar pro
desgraçado e dizer: ei, tô sofrendo aqui, vamos parar com essa estupidez de não me amar
e vir logo resolver meu problema?
Mas amor, minha querida, não se pede, dá raiva, eu sei.
Raiva dele ter tirado o gosto do mousse de chocolate que você amava tanto.
Raiva dele fazer você comer cinco mousses de chocolate seguidos pra ver se, em algum
momento, o gosto volta.
Raiva dele ter tirado as cores bonitas do mundo, a felicidade imensa em ver crianças sorrindo, a graça na bobeira de um cachorro querendo brincar.
Ele roubou sua leveza mas, por alguma razão, você está vazia.
Mas não dá, nem de brincadeira, pra você ligar pro cara e dizer: ei, a vida é curta pra sofrer, volta, volta, volta.
Porque amor, meu amor, não se pede, é triste, eu sei bem. É triste ver o Sol e não vê-lo se irritar porque seus olhos são claros demais, são tristes as manhãs que prometem mais um dia sem ele, são tristes as noites que cumprem a promessa.
É triste respirar sem sentir aquele cheiro que invade e você não olha de lado, aquele cheiro
que acalma a busca. Aquele cheiro que dá vontade de transar pro resto da vida.
É triste amar tanto e tanto amor não ter proveito. Tanto amor querendo fazer alguém feliz.
Tanto amor querendo escrever uma história, mas só escrevendo este texto
amargurado.
É triste saber que falta alguma coisa e saber que não dá pra comprar, substituir, esquecer,
implorar.
É triste lembrar como eu ria com ele.
Mas amor, você sabe, amor não se pede. Amor se declara: sabe de uma coisa?
Ele sabe, ele sabe.

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(tati b.)

Diga não aos covardes

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Um brinde aos passos minúsculos desses seres rastejantes. Andam na velocidade de uma boa notícia quando a ansiedade já extrapolou a lógica da espera.
Chega de meias bocas pra preencher profundos vazios. Meias bocas para beijar entradas inteiras. Meios beijos de respeito na testa. Meias palavras para dizer alguma coisa que, feita a análise fria, nada querem dizer.
Intenções soltas e desejos desconexos. Esse mistério todo é uma violência contra a minha inteligência. Sejamos diretos para não sermos idiotas: eu te quero. Você me quer? Não sabe? Ah, então vá pra puta que te pariu. (E vá ser vago na casa da sua mãe porque embaixo da sua manga eu não fico mais!)
Este rebolado colorido que descola de seu cenário pastel, vem de meu ventre. Livre. Portanto não tente me escravizar, nem com promessas, intelectualidades, ou uma pegada daquelas.
Este rebolado é quase que instintivo, meu jeito, nada sutil, apesar de ser essa a intenção, de te mostrar que há chances de ultrapassagem.
Seja inteligente, faça jus à espécie, seja Sapiens. Perceba o sinal verde, ultrapasse.
Não sabe se quer acelerar o motorzinho? Então vá treinar com uma boneca, uma revista, uma prima, a chata da sua mulher, a sem-sal da sua namorada ou o raio que os parta todos os mornos.
Eu não sou morna e, se você não quiser se queimar, morra na temperatura do vômito. E bem longe de mim.
Ou venha me ajudar a ferver essa banheira. Vamos ficar cegos de vapor e vermelhos de vida. É sangue que corre nos meus sentimentos e não o enjôo morno de uma vida que se vai empurrando com a barriga.
Barriga que vai crescer no sofá imundo dos acomodados.
Eu ainda quero muito. Quero as três da manhã de um sábado e não as sete da tarde de uma quarta. Vamos viver uma história de verdade ou vou ter que te mandar pastar com outras vaquinhas?
Docinho vá fazer pra quem gosta de lamber o seu cuzinho, porque aqui nessa boquinha só entra cher nourriture . Vá contar esse seu papinho de "Hey, you never know" pra quem conta com a sorte e sabe esperar. A sorte é sua de ser amado por mim e eu quero agora, ontem, semana passada.
Amanhã não sei mais das minhas prioridades: posso querer dormir com pijama de criança até meio-dia, pagar 500 reais numa saia amarela...
Minha vontade de ser feliz é como a sua de gozar. E se eu te iludisse de tesão e levantasse rápido para retornar a minha vida? Você continuaria se fodendo sozinho para fugir da dor: é assim que vivo, masturbando minha mente de sonhos para tentar sugar alguma realização. É assim que vivo: me fodendo.
Chega de ser metade aquecida, metade apreciada, metade conhecida. Chega de ser metade comida em meios horários e meio amada em histórias pela metade.
Chega de sorrir para o que não me contenta e me cobrar paciência com um profundo respiro de indignação. Paciência é dom de amor aquietado, pobre, pela metade. Calma, raciocínio e estratégia são dons de amor que pára para racionalizar. Amor que é amor não pára, não tem intervalo, atropela.
Não caio na mesma vala de quem empurra a vida porque ela me empurra. Ela faz com que eu me jogue em cima de você, nem que seja para te espantar.
Melhor te ver correndo pra longe do que empacado em minha vida.

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(tati b.)

sábado, 23 de agosto de 2008

(rafa)

vose e 1 piadistë meninë réréré
tinpegay
-n

Postado por Hello Amico

Sonhos





[...]

E voei, voei. Eu e minha loucura e minha vontade de vomitar tanto até secar por dentro. Eu e o meu medo de me magoar de novo com todo mundo e precisar de novo odiar tanto e me proteger tanto que fico demasiadamente má e me sinto má e começo a fazer maldades comigo.
Eu prefiro esse peito todo errado do que outro peito. Eu gritava. Eu prefiro mil vezes me assumir do que assumir o mundo mil vezes errado. Eu gritei.
E então, tudo continuava ali, prestes a dar muito errado, a falir, a cair no chão e fazer meu próprio buraco. Tudo estava ali. Todo o meu potencial gigantesco pra fazer da minha vida um inferno imenso. E eu assumi meu peso, eu assumi meu medos, eu assumi toda a merda. E assim, voei ainda mais alto, como se flutuasse. Eu peguei pra mim tudo o que soltava por aí e, surpreendentemente, fiquei mais leve.
Se dava pra ir de pesadelo pra sonho deitada, imagina o que eu não poderia fazer da minha vida a hora que ficasse em pé.


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(tati b.)

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Última Carta

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Fulano,
A intenção era magoá-lo. E nem ousarei pedir desculpas porque, além de não querer, elas soariam ridículas e ainda mais ofensivas do que minhas ações supostamente infantis.

Você mereceu. Essa é a verdade. Existe um momento em que tudo de agradável que fizemos um ao outro desaparece, e em seu lugar surge um ressentimento aniquilador que traga o passado distante e só mantém vivas as cenas finais. Aquelas cenas finais.

Tudo já passou, é certo. Mas, assim como uma farta refeição mexicana, demorará pra ser digerido. Enquanto o processo se completa, sua imagem virá à minha mente como o gosto azedo de guacamole subindo pela garganta. Totalmente indigesto.

Escondi minha raiva pelas suas derrapadas, omissões antes eventuais e então perenes. Não disse o que me aborrecia com medo de desandar as coisas entre nós, sem notar que já não existia 'entre nós', só entre mim e alguém que se esqueceu de apagar a luz ao sair para deixar evidente o abandono do recinto.

Antes que me esqueça: a maior vitória disso tudo não foi triturá-lo. Foi descobrir que não me basta viver ao lado de alguém emocionalmente surdo e cego, nutrindo-me de expectativas malogradas. Como li em algum lugar: 'Eu não chorei por você. Chorei por uma idéia que fracassava. Por uma idéia que, num minuto, parecia ter futuro'.


Não importa se tenho razão ou se meus motivos são fortes o suficiente pra dizer o que digo. Aprendi algo importante desde que nos separamos: fome e dor não se medem - cada um tem o seu limite. Passei muito tempo com o meu à beira do insuportável (por burrice minha, óbvio).

Por que escrevi isso? Nâo sei, talvez isso conseguirá algo que eu já não conseguia e que me massacrava: surtir algum efeito em você.


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A. [modificado]

Quando o dique estoura

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Finais não precisam ser horríveis. É suficiente serem tristes.

Como termina um amor? Talvez não termine, somente mude para o terreno da amizade sem nos darmos conta. O carinho, o respeito, a vontade de dividir alegrias corriqueiras continuam a viver e nem sequer notamos que algo morreu. Não admitimos a possibilidade de o eterno não existir. Mas morreu algo quase imperceptível, que só notamos quando não está mais lá, entrelaçando as mãos.

Insultos e traições não são necessários para que o amor termine. Alguns, os mais rudes, clamam pela destruição total, precisam do insuportável para divisar aquilo que um dia foi claro e luminoso transformou-se num lodaçal onde ambos se afogam, puxados pelo peso do rancor, pela negativa em abandonar o navio, mesmo rodeados pelos destroços. Não é necessário exterminar tudo de belo para notar que as cores desbotaram e, apesar de ainda harmônicas, já não enchem os olhos de satisfação. A maior dor vem com a constatação de que só amor não basta - a tela que pintamos a quatro mãos pode continuar linda, mas foi, imperceptivelmente, sendo esvaziada de significados e se transformou em algo que observo, mas do qual, tristemente, não faço parte.

O espaço que o amor toma é muito grande; preenche tudo. No momento em que diminui (talvez não diminua, apenas sofra uma metamorfose: não acredito que o amor possa arrefecer, apenas se transforma em outra coisa, inominável) sentimos como se tivessem arrancado nosso fígado, nosso rim. Somos assolados pela convicção tão hesitante quanto lancinante de que não sobreviveremos à sensação de não termos mais porto, segurança, paz. A voz cálida ao telefone. Nos invade a certeza ainda mais cruel de que, depois dessa fissura, não poderemos levar isso adiante, não poderemos provocar mais dor nem infligi-la a nós mesmos. A certeza de que fomos lançados em alto-mar e já não nos cabe querer ou não - a realidade não precisa de nós.

Então vem o assombro, a sensação de trairmos o outro por já não conseguirmos ser parte de dois, pela estranha e urgente necessidade de sermos um, sozinhos, de nos vermos despejados da visão carinhosa e complacente. "Perdi algo que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se tivesse perdido um terceiro apoio que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Esse terceiro apoio eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Sei que só com duas pernas é que posso caminhar, mas a ausência do apoio me faz aflita e me assusta, era ele que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, sem querer precisar me procurar." (Clarice Lispector)

E será inútil esforçar-se para esquecer - tudo o que um dia se misturou carregará consigo partículas do outro. Talvez venha o arrependimento, o recomeço, as cores voltem a brilhar como antes - mas não se pode contar com isso. Não se pode contar com nada. O único caminho viável é viver e correr o sagrado risco do acaso. E substituir o destino pela probabilidade.

O único caminho é entregar-se à desorientação e ter fé, muita fé, de que ela nos leve a um lugar mais calmo, inabitado por nossa agonia e pelo medo de ficarmos sós.


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(ailin a.)

[?]

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Quantos sinais são necessários até compreendermos que já não nos importamos com alguém?

-

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Pé na bunda.

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"O melhor que você tem a fazer é me odiar." Foi isso que eu li. Foi isso que fiz, mesmo involuntariamente: eu sempre odeio quem me deixa, mesmo que ainda o ame. Ou nunca tenha amado.

Não há como ser morno no fim do que, um dia, chamamos de amor: mulheres soluçam publicamente, homens choramingam para os amigos depois do porre, mas todos sofrem. No meio da festa ou trancado no banheiro. Não importa: o negócio é que pé na bunda dói.

Depois de lermos ou ouvirmos aquelas palavras pesadas e desagradáveis, nos perguntamos, tentando achar uma resposta convincente: mas como terminou? Diria o poeta que não termina, apenas parte para algum lugar desconhecido. Mas a verdade, a que se sente na pele, é que acaba. Vira pó, mais fino que bicabornato.

Raramente o amor é derrubado por um tiro só, mais fácil que seja por uma saraivada de tirombaços que demoramos a notar, tamanho o costume de estar ao lado da pessoa, tamanha a necessidade de manter as coisas como estão. Nos acostumamos a tudo - cheiros, hábitos, barulhos, gírias -, ignoramos óbvios sinais de enfermidade. Essa é a verdade, porque é difícil pacas assumir o fracasso de algo que construímos com o cuidado com que ergueríamos um castelo de cartas. Assistir à morte de um amor é como assinar embaixo em um atestado de incompetência: "Eu sou um fracassado sentimental".

Mas então puseram palitinhos em nossos olhos e fomos forçados a ver o paciente agonizando na UTI. E o vimos morrer, sem termos tempo de fazer mais nada. E ficamos ali, sofrendo como camelos, achando que nunca mais encontraremos o pires certo para nossa xícara. Ou tentamos ressuscitá-lo e, depois de um tempo (ou dois, três tempos, depende do seu grau de insistência e burrice), percebemos que não sobrou nada mesmo. Só algumas recordações, roupas no armário, escova de dentes na pia e bichinhos de pelúcia. Daí é a hora de lavar a cara, galinhar e encontrar alguém que te faça rir. Game over.

Sou perita em fins. Sou passional, daquelas que escrevem laudas e laudas em louvor do morto, que chora com a cara enfiada no travesseiro, fica deprimida, se humilha se for preciso. Curto a fossa até o fim, pra nunca mais ter de voltar ao assunto. Pelo menos naquele assunto. Não tenho o menor problema em admitir que sofro, e morro de pena dos que passam a vida fingindo não se afetar com nada, nem com a visão dela indo embora. Sabe o que te difere daquele chimpanzé do zoológico? A capacidade de pedir para ela ficar. Ou de mandá-la para o inferno.

Então está na hora de pararmos com essa babaquice de que homem não sofre, não fica deprê e não se comove com recordações. Você nunca sentiu nenhuma dessas coisas? Então acho que você é um chimpanzé. E nem sabe.

Mas, se você é homem digno do substantivo, tenho certeza de que já gastou pelo menos um pouco da sua cota de paspalhice emocional, já ouviu tiração de sarro dos amigos quando estava cabisbaixo por causa da Ermenegilda. Ficou feliz, como um cachorro que ganha osso, quando ela te ligou jurando arrependimento. Quis perfurá-la com espetos de churrasco ao descobrir que a desgraçada saía com o palhaço do seu amigo de faculdade. Ou mandou flores tentando reaver algo que já não te pertencia mais. Parabéns, você viveu, e está aí, pronto para me dar razão numa coisa: pé na bunda dói pra burro - na testa (algumas vezes), na carne (a maioria) e na alma (quando foi muito especial) -, mas sara. Sempre.


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(ailin a.)

Eu só queria um namorinho de portão

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Não, você não precisa ter o abdômen do mocinho da novela, afinal eu adoro meus peitos naturais que se mexem de leve quando eu corro e desaparecem um pouco quando eu emagreço demais. Acho até que posso ficar com sua barriga pra sempre, mas já faz tempo que não acompanho nem uma semana seguida de qualquer novela.
Eu não quero que você me busque num super potente carro, eu só quero que quando você me beije, eu não deseje mais nenhuma força do universo. Estou pouco me lixando se o restaurante tem várias cifras no guia da Folha, mas gostaria muito que a gente esquecesse das mesas ao lado e risse a noite toda, eu até brindaria com água sem bolhinhas.
Sério que tem uma pousada mega-master com ofurô em cima da montanha e charretes cor-de-rosa que trazem o café da manhã? Dane-se, se você conseguir passar, nem que seja algumas horas, encantado pela gente, essa será a maior riqueza que eu posso ganhar.
Sim, a tecnologia é mesmo fantástica, só que hoje eu queria sumir com você para um lugar onde não pegue o celular, não pegue a internet, não pegue a televisão, mas que a gente, em compensação, se pegue muito.
Sim, sim, música eletrônica é demais, celebrar a vida com os amigos é genial, pular bem alto é sensacional. Mas será que a gente não pode colocar um Cartola bem baixinho na vitrola e dançar sozinhos no escuro, só hoje? Será que a gente não pode parar de adjetivar o mundo e se sentir um pouco?
Eu procuro você desde o dia em que nasci, não, eu não dependo de você nem para andar e nem para ser feliz, mas como seria bom andar e ser feliz ao seu lado.
Só que estamos com um problema: vai ser um pouco difícil a gente se conhecer porque tenho evitado sair de casa.
Eu não odeio mais as garotas em série e seus namorados em série, eu não odeio mais a sensação de que o mundo está perdido e as pessoas lutam todos os dias para se parecerem ainda mais com o perdido ao lado, se perdendo ainda mais.
Eu não odeio mais quem cuida do corpo mas esquece da alma, quem cuida do cabelo mas esquece da mente, quem cuida da superfície mas faz eco por dentro, quem coloca um peito de silicone mas esquece de dar mais uma chance ao amor.
Eu não odeio mais a galera feliz em pertencer a um mesmo barco que não vai a lugar nenhum. Eu só acho isso tudo muito triste e prefiro não ver. Eu prefiro não fazer parte da feira que compete pra ver quem tem a casca mais bonita.
Voando eu sei que você não vem, até porque eu jamais namoraria um super-homem: tenho horror a pessoas falsamente infalíveis.
Não quero um homem que sempre vence, que sempre impressiona, que sempre salva e sorri impecável em dentes brancos e músculos ressaltados por um colan com as cores da bandeira americana.
Você pode ter medo de monstrinhos imaginários e dormir com a porta trancada, pode ficar meio tristinho quando, numa festa cheia de amigos, lembrar que é sozinho no mundo, pode perguntar assustado no meio da noite “aonde você vai” mesmo sabendo que é só um xixi, pode até fazer piada com o seu medo de estar vivo, e pode, inclusive, ficar sério e quieto, de repente, por causa disso também.
Não existe Orkut, não existe Messenger, não existe celular, não existe um supercelular que é máquina fotográfica, Orkut e Messenger ao mesmo tempo. Não existe o décimo quarto andar do meu prédio com 8 seguranças lá embaixo. Não existe a balada perfeita com 456 garotas iguais e programadas para te dar um amor levemente inexistente. Não existe esperar que a vida fique mais compacta, mais veloz, mais completa e mais fácil, assim como o computador.
Existe essa coisa simples, antiga e quase esquecida pela possibilidade infinita de se distrair com as mentiras modernas do mundo. Existe o amor, mas onde ele foi parar depois de tudo isso?
Eu não tenho um portão para te esperar, como minha avó um dia esperou pelo meu avô e eles ficaram juntos por 70 anos. Talvez eu também seja engolida por esse mundo que cria tantas facilidades para a gente não sofrer. Tenho medo de que tudo seja uma mentira e de verdade sinto que é, mas ainda acordo feliz todos os dias esperando que ao menos você seja verdade.

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(tati b.)

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Preciso mais uma vez coçar a coceira, furar a ferida, esguichar o pus. Por alguma razão bizarra, sou viciada nessa merda toda.

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terça-feira, 19 de agosto de 2008

Laiá.

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Sempre que uma situação começa a ficar boa ou simplesmente começa, solto minhas frasezinhas bombas. Não sei se com isso quero realmente foder a minha vida ou me proteger de me foder. Acho que segundos antes de explodir tudo, penso assim: se eu falar a frase mais errada do mundo, só os realmente fortes sobreviverão. O que eu não percebo é que no começo de alguma coisa, ninguém ainda é realmente forte para agüentar minhas frasezinhas bombas.
E todo mundo, sem exceção, acaba correndo assustado. E no dia seguinte eu acordo com aquele misto de vitória com tristeza. Sozinha novamente. Como se isso fosse um prêmio mas também uma doença.
Dentre as minhas frasezinhas bombas tenho três prediletas “to morrendo de saudades de você”, “a vida sem amor é uma merda” e “você me dá pouca atenção”. Quase nunca to morrendo de saudades de alguém, não existe a menor chance de eu amar algum desses trastes que me aparecem e caguei se eles me dão ou não muita atenção. Mas ainda assim falo, ainda assim mando uma frase dessas. Só pra ter o triste prazer de ver o covarde ficando branco, escondendo os dentes, enfiando o pinto no cu. E sumindo finalmente da minha vida.

[...]

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(tati b.)

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Blá blá blá.

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Ai ai...
Essas balelas de fim de relacionamento...
"Blá blá blá... eu realmente não quero deixar de falar contigo... blá blá blá... Qualquer coisa tô aqui blá blá blá blá blá [continua até o infinito.]"...
Mas sempre parece tão frio e sempre tão cheio de falta de vontade de conversar, tão... tanto faz. Monossilábico.
Enfim...
É triste uma pessoa que significou tanto pra você agora nem tchuns...
"Gostaria que meu coração fosse como uma porta giratória por onde as pessoas entrassem e saíssem sem que eu desse a mínima. Apenas passassem por mim, deixando souvenirs mas não marcas."
Deveria saber que era apenas [mais] um discurso. O primeiro de alguns/muitos que meus ouvidos se cansarão de ouvir...
Esses são os homens! ;)
^_^
Apreeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeende, Bruna! Aprende!

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quarta-feira, 13 de agosto de 2008

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

I ...

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Não sei. Acho que sou uma meia velha tentando esquecer o pé de alguém. Uma meia que nunca acha outro par de meia que combine, e que no final vai ser só um depósito para ácaros... Ou quem sabe um fantoche...

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domingo, 10 de agosto de 2008

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

u___u

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Troco meu coração por um pote de Nutella.
1 ano de garantia, 2.0, totalflex, alguns arranhões...
Alguém?

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terça-feira, 5 de agosto de 2008

Triz

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Eu quase consegui abraçar alguém semana passada. Por um milésimo de segundo eu fechei os olhos e senti meu peito esvaziado de você. Foi realmente quase. Acho que estou andando pra frente.

Ontem ri tanto no jantar, tanto que quase fui feliz de novo. Ouvi uma história muito engraçada sobre uma diretora de criação maluca que fez os funcionários irem trabalhar de pijama. Mas aí lembrei, no meio da minha gargalhada, como eu queria contar essa história para você. E fiquei triste de novo.

Hoje uma pessoa disse que está apaixonada por mim. Quem diria? Alguém gosta de mim. E o mais louco de tudo nem é isso. O mais louco de tudo é que eu também acho que gosto dele. Quase consigo me animar com essa história, mas me animar ou gostar de alguém me lembra você. E fico triste novamente.

Eu achei que quando passasse o tempo, eu achei que quando eu finalmente te visse tão livre, tão forte e tão indiferente, eu achei que quando eu sentisse o fim, eu achei que passaria. Não passa nunca, mas quase passa todos os dias.

Chorar deixou de ser uma necessidade e virou apenas uma iminência. Sofrer deixou de ser algo maior do que eu e passou a ser um pontinho ali, no mesmo lugar, incomodando a cada segundo, me lembrando o tempo todo que aquele pontinho é um resto, um quase não pontinho.

Você, que já foi tudo e mais um pouco, é agora um quase. Um quase que não me deixa ser inteira em nada, plena em nada, tranqüila em nada, feliz em nada.

Todos os dias eu quase te ligo, eu quase consigo ser leve e te dizer: "Ei, não quer conhecer minha casa nova?" Eu quase consigo te tratar como nada. Mas aí quase desisto de tudo, quase ignoro tudo, quase consigo, sem nenhuma ansiedade, terminar o dia tendo a certeza de que é só mais um dia com um restinho de quase e que um restinho de quase, uma hora, se Deus quiser, vira nada. Mas não vira nada nunca.

Eu quase consegui te amar exatamente como você era, quase. E é justamente por eu nunca ter sido inteira pra você que meu fim de amor também não consegue ser inteiro.

Eu quase não te amo mais, eu quase não te odeio, eu quase não odeio aquela foto com aquelas garotas, eu quase não morro com a sua presença, eu quase não escrevo esse texto.

O problema é que todo o resto de mim que sobra, tirando o que quase sou, não sei quem é.

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(tati b.)

Os ombros suportam o mundo.

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Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

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Tio Drummond.

É...

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Alguma coisa explodiu, partida em cacos. A partir de então, tudo ficou ainda mais complicado. E mais real.

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Se querer te matar...

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Se te queres matar, porque não te queres matar?
Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,
Se ousasse matar-me, também me mataria...
Ah, se ousares, ousa!
De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas
A que chamamos o mundo?
A cinematografia das horas representadas
Por actores de convenções e poses determinadas,
O circo polícromo do nosso dinamismo sem fim?
De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
Talvez, matando-te, o conheças finalmente...
Talvez, acabando, comeces...
E de qualquer forma, se te cansa seres,
Ah, cansa-te nobremente,
E não cantes, como eu, a vida por bebedeira,
Não saúdes como eu a morte em literatura!

Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...
Sem ti correrá tudo sem ti.
Talvez seja pior para outros existires que matares-te...
Talvez peses mais durando, que deixando de durar...

A mágoa dos outros?... Tens remorso adiantado
De que te chorem?
Descansa: pouco te chorarão...
O impulso vital apaga as lágrimas pouco a pouco,
Quando não são de coisas nossas,
Quando são do que acontece aos outros, sobretudo a morte,
Porque é a coisa depois da qual nada acontece aos outros...

Primeiro é a angústia, a surpresa da vinda
Do mistério e da falta da tua vida falada...
Depois o horror do caixão visível e material,
E os homens de preto que exercem a profissão de estar ali.
Depois a família a velar, inconsolável e contando anedotas,
Lamentando a pena de teres morrido,
E tu mera causa ocasional daquela carpidação,
Tu verdadeiramente morto, muito mais morto que calculas...
Muito mais morto aqui que calculas,
Mesmo que estejas muito mais vivo além...

Depois a trágica retirada para o jazigo ou a cova,
E depois o princípio da morte da tua memória.
Há primeiro em todos um alívio
Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido...
Depois a conversa aligeira-se quotidianamente,
E a vida de todos os dias retoma o seu dia...

Depois, lentamente esqueceste.
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste;
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.

Encara-te a frio, e encara a frio o que somos...
Se queres matar-te, mata-te...
Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência!...
Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?

Que escrúpulos químicos tem o impulso que gera
As seivas, e a circulação do sangue, e o amor?
Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida?
Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem.
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?

És importante para ti, porque é a ti que te sentes.
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjectividade objectiva.
És importante para ti porque só tu és importante para ti.
E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?

Tens, como Hamlet, o pavor do desconhecido?
Mas o que é conhecido? O que é que tu conheces,
Para que chames desconhecido a qualquer coisa em especial?

Tens, como Falstaff, o amor gorduroso da vida?
Se assim a amas materialmente, ama-a ainda mais materialmente:
Torna-te parte carnal da terra e das coisas!
Dispersa-te, sistema físico-químico
De células nocturnamente conscientes
Pela nocturna consciência da inconsciência dos corpos,
Pelo grande cobertor não-cobrindo-nada das aparências,
Pela relva e a erva da proliferação dos seres,
Pela névoa atómica das coisas,
Pelas paredes turbilhonantes
Do vácuo dinâmico do mundo...


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tio Fernando Pessoa. :)

Sei sei...

Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.


Fernando Pessoa

O Legado do Homem-Tatu

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O mundo seria um lugar mais feliz se os homens só adquirissem o direito de ter pau depois de aprender todas as possibilidades eróticas da língua e dos dedos.

Essa não é uma crítica ao falo. De forma alguma. Ele é útil, a gente usa e gosta. Bastante. É realmente envaidecedor vê-lo reagindo aos nossos estímulos e se transformando de tímido e assustado em suntuoso e implacável. Aliás, só uma coisa dá mais tesão numa mulher do que causar tesão: ser excitada. E aqui entram a língua e os dedos. Literalmente.

Esqueça o priapo por uns instantes. Acredite se quiser, mas não somos uma seqüência de buracos dispostos ao seu bel-prazer (eles também servem ao nosso). E é exatamente assim, bonecas infláveis, que nos sentimos quando tratadas feito pizza fria: comida às pressas. Temos pele, cabelos, pernas, braços, virilha, uma série infindável de territórios pouquíssimo explorados pela maioria dos machos e, vou te contar, é uma delícia sentir a mão de um homem passando por nossas coxas, ultrapassando a barreira do elástico do sutiã, puxando de leve o cabelo perto do pescoço. E é aí que nos sentimos vistas, exploradas, únicas.

E então nos invade a vontade incontrolável de virarmos a mais competente das devassas, utilizarmos sabiamente sua ereção e fazê-los (e a nós também) gozar feito loucos. O melhor círculo vicioso do universo.

Depois de vislumbrar a miríade de possibilidades que o encontro de dois corpos (inteiros) nos reserva, beira o impossível compreender qual o raciocínio tortuoso que leva um homem a resumir o sexo ao bate-estaca. Não tiro o mérito da penetração porque, serei justa, é um momento crucial. Se sexo fosse cardápio, meu pedido seria o combo número 1: língua + dedos + falo. A ausência de qualquer um dos itens causa a mesma sensação de ir ao Mc Donal's e não pedir refrigerante e batata frita: parece que nem estivemos lá. Ser penetrada é gostoso, íntimo, invasor, impactante. Mas, se isso fosse suficiente pra satisfazer as mulheres, os homens teriam, há milênios, sido substituídos pelos pepinos.Machos estão pouco se importando com o orgasmo feminino? Se somos assim tão independentes, a gente que se resolva? Se gostamos tanto de dedo e língua, por que não viramos lésbicas? Ora, ora, que imaturo dizer essas besteiras. Amigo, se você transa com a única intenção de botar pra dentro, sugiro que desista dessa coisa chata, repetitiva e reclamona chamada mulher e entregue-se sem culpa ao reino vegetal: bananeiras e mamão morno são ótimas opções - macios, molhadinhos, não conversam depois de transar, não pedem pra ficar abraçados nem questionam seus sentimentos por eles. Fácil e econômico.

A verdade é uma só: homem que não curte preliminares não gosta de mulher, gosta de buraco. Sendo assim, que tal um tórrido momento a dois com uma estonteante mesa de sinuca?


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(ailin a.)

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

o.O

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Já teve a impressão de estar sendo ignorada sem motivos? o___O
Os mortais são estranhos demais pra mim...
:S
Tchau.

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quarta-feira, 30 de julho de 2008

Hetero. =D

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Algumas perguntas para ajudar seus amigos heterossexuais.

1. O que você acha que causou a sua heterossexualidade?

2. Quando e como você decidiu que era um heterossexual?

3. Você acha possível que a sua heterossexualidade seja apenas uma fase que você um dia irá superar?

4. Você não acha possível que a sua heterossexualidade tenha origem em um medo neurótico de outros do mesmo sexo?

5. Os seus pais sabem que você é heterossexual? Seus amigos e colegas sabem? Se sabem, como foi que reagiram?

6. Por que você insiste em exibir a sua heterossexualidade? Você não pode apenas ser o que é e ficar na sua?

7. Por que os heterossexuais enfatizam tanto o sexo?

8. Por que os heteros insistem tanto em seduzir os outros a adotar seu próprio estilo de vida?

9. Uma maioria desproporcionalmente alta de molestadores de crianças são heterossexuais. Você não acha perigoso expor crianças a professores heterossexuais?

10. O que exatamente um homem e uma mulher fazem na cama? Como podem eles saber como agradar ao outro, sendo tão diferentes anatomicamente?

11. Apesar de todo o apoio que o casamento recebe, o divórcio cresce exponencialmente. Por que existem tão poucas relações estáveis entre heterossexuais?

12. As estatísticas mostram que a incidência de moléstias sexualmente transmissíveis é a mais baixa entre lésbicas. É realmente seguro uma mulher manter um estilo de vida hetero e correr o risco de doenças e de uma gravidez indesejada?

13. Como pode você se tornar uma pessoa inteira se você se limita a uma heterossexualidade exclusiva e compulsiva?

14. Considerando a ameaça de superpopulação, como poderá a raça humana sobreviver sendo todo mundo heterossexual?

15. Dá pra confiar na objetividade de um terapeuta heterossexual? Você não sente que ele/ela poderá estar inclinado a influenciá-lo na direção de suas próprias experiências?

16. Parecem haver tão poucos heterossexuais felizes. Já foram desenvolvidas técnicas que podem permiti-lo mudar se você desejar. Você já considerou a hipótese de tentar a terapia de conversão?

17. Você gostaria que um filho seu fosse heterossexual, mesmo sabendo dos problemas que ele/ela vai enfrentar?

18. Se você nunca foi pra cama com alguem do mesmo sexo, será que você não está mesmo é precisando de um bom amante gay?


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=D

Para não sentir dor.

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Para não sofrer eu vou me drogar de outros, eu vou me entupir de elogios, eu vou cheirar outras intenções. Vou encher minha cara de máscaras para não ser meu lado romântico que tanto precisa de um espaço para existir ridiculamente.Não vou permitir ser ridícula, nem uma lágrima sequer, nem um segundo de olhar perdido no horizonte, nem uma nota triste no meu ouvido. Eu sei o quanto vai ser cansativo correr da dor, o quanto vai ser falso ignorar ela sentada no meu peito. Mas vou correr até minha última esquina. Vou burlar cada desesperada súplica do meu coração para que eu pare e sofra um pouquinho, um pouquinho que seja para passar.Suor frio da corrida, sempre com sorriso duro no rosto e o medo de não ser nada daquilo que você me fez sentir que eu era. Muita maquiagem para esconder os buracos de solidão. Muita roupa bonita para esconder a falta de leveza e de certeza do meu caminho.
E por que vendo tanto meu corpo e tão pouco minha alma? Porque quero ver você comprando o que realmente quer e não enganando querer para levar a promoção.
Cansei das promessas de compra e das devoluções gastas do meu corpo. Cansei de expor minha alma se no fim tudo acaba mesmo. Então tá aqui ó: peitinhos, coxas, barriga e o buraco que você tanto quer.
Leve de uma vez e me engane por alguns dias. Você é igual a todos os outros e todos os outros são: lixo. O amor não existe, e, se existe, não dura pra sempre. E, se não dura pra sempre, não é amor. E nada dura pra sempre. E então o amor não existe.
Estou amarga com simplicidade, e isso é relaxante já que vivo cheia de complicações. A amargura é muito mais simples que a esperança. Estou triste do tamanho do buraco sem vida que você deixou em mim, uma concavidade sonhadora que ainda pulsa um desejo que ao mesmo tempo enoja.
Ainda sinto você aqui dentro e toda a energia boa de vida que esta lembrança poderia gerar em mim, mas essa energia sem escape, sem válvula, sem história, essa energia inocentemente transformada em ódio, só carrega ondas que me corroem por dentro.
Mas para não sentir dor eu vou jurar ao último ouvido do meu universo o quanto você é descartável. O quanto sua molecagem não permitiu nenhuma admiração de minha parte.
Para não sofrer não vou permitir minha cabeça no travesseiro antes do cansaço profundo e sem cérebro. Não vou permitir admirar coisas da natureza porque talvez eu me lembre de você ao ver algo bonito.
Não vou permitir silêncios porque é aí que o meu fundo transborda e a tristeza pode me tomar sem saída. Eu vou continuar deixando a minha cabeça me martelar porque toda essa confusão é ainda menos assustadora do que a calmaria da verdade.
A verdade é a frieza do mundo, é a podridão dos desejos, são as mentiras que a gente inventa para os outros e acaba acreditando. A verdade é que mais cedo ou mais tarde você será traído, porque todo mundo tem medo de viver a entrega. A verdade é que ninguém se entrega porque ninguém se tem. A verdade é que não estamos aqui, estamos em algum lugar seguro vivendo nossas vidas medíocres. A verdade é que todo esse perfume é vergonha de nossa essência, todas essas marcas são vergonha do nosso corpo, todo esse charme despretensioso é vergonha de nossas fraquezas. A verdade é que nada é inteiro porque até o inteiro para ser todo precisa ter seu lado vazio. A verdade é que não dá para fugir da dor, e eu continuo correndo, correndo, correndo e não saindo do mesmo lugar.

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(tati b.)

¬¬

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Desculpem o trocadilho infame, mas a vida é feita de altos e baixos. Altos, fortes, morenos, sensuais, possíveis e aquele baixinho, meio esquisito, que não sai da sua cabeça.
Impressionante como a gente sofre por nada. Um cheiro que mexe com você, um jeito de olhar contido, uma idéia inteligente, várias na verdade. Não, não é nada disso, a gente sofre é pela impossibilidade.
Desde que o mundo é mundo não há nada mais afrodisíaco do que a proibição.
E se a Julieta tivesse visto o Romeu acordar com mau hálito? E se o Romeu descobrisse o chulé da Julieta? Convivência é foda.
Pois é, aquele baixinho esquisito não pertence ao grupo dos amores possíveis, a graça dele pode durar uma eternidade, dependendo do seu grau de estupidez criativa.
Ele não quer nada com você, já tem alguém, pertence a um caminho que passa longe do seu, sabe cumé? Pertence ao campo dos idealizados, sonhados e distantes, o que faz dele enorme, lá no pedestal.
E nada melhor do que as lacunas da improbabilidade para esquentar uma paixão. Nessas lacunas você tem espaço para criar a história como quiser, ganha poder, inventa. Ele é seu, seu personagem.
Nesses espaços livres você coloca todos os seus sonhos, toda a sua imaginação. Cenas completas com fundo musical e palavras certas, finais e desfechos inesperados.
Quando você menos espera, ele faz mais parte da sua vida do que você mesma.
Mas a realidade aparece mais cedo mais tarde, vem como uma angústia. Parece vontade de fazer xixi, mas é tesão reprimido. Tesão reprimido deve dar câncer. Era só um cara interessante, agora pode te matar.
Pronto, você está apaixonada. E a paixão tem suas etapas.
Primeiro a negação: eu apaixonada? Imagina. Ele é impossível, nunca vai me dar bola, muito menos duas com o que eu quero no meio.
Depois a maximização: ele é mais inteligente, mais bonito, mais engraçado. E todos os mais possíveis para que ele seja mais desafio para você, mais inveja para as suas amigas, se você aparecer com ele na festa, mais fadinhas dançantes para fazer cosquinha no seu ego problemático.
Daí é a vez da "superlativização": em vez de ser mais, ele é "o mais", o mais fodido, o mais inteligente e o mais gostoso.
E você está a um passo do endeusamento: "ele é único", aí fodeu.
Se ele é único, ele é a sua única chance de ser feliz. E, se ele não quer nada com você, você acaba de perder a sua única chance de ser feliz. Bem-vinda à depressão.
Como você é ridícula, amor platônico é para adolescentes.
Lá fora há milhares de possibilidades de felicidade, de felicidades possíveis. De realidade. E você eternamente trancada na porta que o mundo fechou na sua cara. Fazendo questão de questionar e atentar o inexistente.
Vá viver um grande amor.
Olha, faça um favor para mim, antes de tremer as pernas pelo inconquistável e apagar as luzes do mundo por um único brilho falso, olhe dentro de você e pergunte: estupidez, masoquismo ou medo de viver de verdade?



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(tati b.)

Mulher "Perfeita"

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Tenho horror a mulher perfeitinha. Odeio qualquer uma que fique maravilhosa num biquíni. Sabe aquele tipo que faz escova toda manhã, está sempre na moda e é tão sorridente que parece garotapropaganda de processo de clareamento dentário? E, só pra piorar, tem a bunda dura feito pão francês com mais de uma semana? Pois então, mulheres assim são um porre. E digo mais: são brochantes.


Você, homem, dirá que estou louca, sou despeitada e, provavelmente, baranga. Na boa, pense o que quiser, mas posso provar minha tese com grande tranqüilidade, ponto a ponto. Quer ver?

* A dondoca faz escova toda manhã: fulaninha acorda às 6 da matina pra deixar o cabelo parecido com o da Patrícia de Sabrit, liso feito pau de sebo e à prova de furacão e Katrinas. Nisso, ela perde momentos imprescindíveis de rolamento na cama, encoxamento do namorado, pegação, pra encaixar-se no padrão "Alisabel é que é legal". Burra.
* A fofucha anda impecavelmente na moda, o que significa igual a todas as amigas: estilo pessoal, pra ela, é o que aparece nos anúncios da revista da Daslu. Você vê-la de shortinho, camiseta surrada e cabelo preso? JAMAIS! O que indica uma coisa: ela não vai querer ficar desarrumada nem enquanto estiver transando. É capaz até de fazer pose em busca do melhor ângulo perante o espelho do quarto. Credo.
* A lindinha exibe um sorriso incessante: ela mora na vila dos Smurfs? Está fazendo treinamento pra Hebe? Sou antipática com orgulho - só sorrio para quem provoca meu sorriso. Não gostou? Problema seu. Isso se chama autenticidade, meu caro. Coisa que, pra perfeitinha, não existe. Aliás, ela nem sabe o que a palavra significa. Coitada.
* A queridona tem a bunda pétrea: as muito gostosas são, infalivelmente, muito chatas. Pra manter aquele corpão, comem alface e tomam isotônico, portanto não vão acompanhá-lo nos pasteizinhos nem na porção de bolinho de arroz do sabadão. Bebida dá barriga e ela tem HORROR a qualquer carninha saindo da calça de cintura tão baixa que o cós acaba onde começa a pornografia: nada de tomar um bom vinho ou encarar uma pizza de mussarela. Cerveja? Esquece! Melhor convidar o Jorjão.
Pois é, ela é um tesão. Mas não curte sexo porque desglamouriza, se veste feito um manequim de vitrine, acha inadmissível você apalpar a bunda dela em público, nunca toma porre e só sabe contar até 15, que é até onde chega a seqüência de bíceps e tríceps. E você reparou naquela bunda? Meu Deus...
Legal mesmo é mulher de verdade. E daí se ela tem celulite? O senso de humor compensa. Pode ter uns quilinhos a mais (geralmente eles só existem na opinião dela), mas é uma ótima companheira de bebedeira. Pode até ser meio mal-educada quando você larga a cueca no meio da sala, mas adora sexo. Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução (e, às vezes, nem chegam a ser um problema). Mas ainda não criaram um remédio pra futilidade. Nem pra dela, nem pra sua.


:D

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(ailin a.)

Simples.

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Gostaria que meu coração fosse como uma porta giratória por onde as pessoas entrassem e saíssem sem que eu desse a mínima. Apenas passassem por mim, deixando souvenirs mas não marcas. Gostaria de esquecer mais facilmente e recordar com tranqüilidade.
Achar que o sexo é complicado e que o amor é simples.
Deduzir menos e respirar profundamente antes de agir.
Deixar de sentir que um ácido corrói meus ossos e sonhos sempre que alguém parte.
Fazer minha metade vítima parar de chorar por perdas passadas que, de tão dolorosamente lembradas, repetem-se no presente.
Ser menos incoerente.
Parar de dar a alma pelo azul e—amedrontada com a vulnerabilidade de doar-se--- trair o azul com o castanho, como diria Paulo Mendes Campos.
Gostaria que minhas neuroses--- paradas, imóveis, colocadas de castigo com os rostos voltados para a parede mas sempre à espreita—deixassem de me assustar na hora mais profunda e plácida da noite, congelando meus pensamentos e liquefazendo as sensações, fundindo-as todas em uma poça de suor e esperança.
Amar intensamente o possível e ignorar o distante, difícil, complicado.
Andar leve, abandonar o lastro. Nunca mais dizer “eu odeio”, “boçal”, “trepar” e “tenho medo”. Dizer muito mais “sossego”, “adoro quando você fala isso”, “que gostoso”, “sim”.
Gostaria de me tornar a materialização da paz satisfeita de um gato ao sol.
Trocar a ansiedade deterioradora por uma bala de menta.
Ter a pele mais grossa.
Gostaria que alguns deixassem de existir para dar espaço para outros andarem mais livres. Sobraria mais ar. Puro. E então essas pessoas seriam mais bobas, comeriam com as mãos, teriam auto-ironia, andariam descalças com freqüência, cobrariam menos, amariam mais e não veriam a felicidade alheia como uma ameaça para a sua própria.
Mas o que mais gostaria, acima de tudo, é que meu coração fosse como uma porta giratória por onde o amor entrasse facilmente. E não saísse. :)



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(ailin a.)